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A gente anda triste. São Paulo mostra isso. O Brasil mostra isso. As expressões do pedestre evidenciam um misto de mal estar, cansaço e sonhos cada dia mais iludidos por veículos de informação que ignoram o bem comum. Não se pode culpar alguém por sentir isso, porque do jeito que as coisas andam ninguém tem tempo pra nada. Na era da rapidez a rotina é persistente, e as semanas se confundem umas com as outras. As ideias se rompem pela falta de memória, todo dia é igual ao outro, com exceção da angústia, que aumenta exponencialmente. As conversas de ônibus são sobre os problemas do transporte e não existe mais tempo pra conhecer nova gente da nossa cidade, lugar que deveria sediar relações de empatia. De que adianta uma copa do mundo se nem empatia temos? Na verdade o que temos é medo. Medo do outro na rua, no trabalho e em casa. Todo dia tem alguém que perde a vontade de tudo.
As últimas duas semanas tem significado muito para o nosso país. Tem representado a grande quebra da rotina, que se fincava cada dia no nosso chão mal ladrilhado. Era uma rotina que induzia a conformidade e a falta de motivação. Os protestos ocorridos nesse mês de junho de 2013 mostram que é através dessas quebras que se combate o cansaço e o vazio da vida urbana, causados pelo mal recompensamento do nosso esforço, pelos próprios administradores da nossa cidade. Que tipo de ser gosta de fazer mal a ele mesmo? Isso é um absurdo. Que tipo de governo gosta de ignorar o que o povo tem a dizer (e não só isso, mas tentar calar a boca de todo mundo através da força física) ? As quatro passeatas contra o aumento da tarifa significam muito mais do que um bando de adolescentes revoltosos a fim de botar para fora os hormônios. A quebra é necessária sempre que a gente sente essa sujeira em cima da gente. A quebra origina o novo, e tudo que for novo e diferente dessa realidade miserável deve ser colocado em pauta.
A rua é o melhor local para rupturas de padrões. É nela que interferimos realmente na vida dos que não vêem ou não querem ver o sorriso virado pra baixo estampado na cara daqueles que transitam pela rua sem tempo de pensar, pois o trabalho demanda, e muito. Aqueles que chegam em casa e assistem na sua humilde televisão um programa pra descontrair a seriedade da rotina. Mas e se até mesmo muitos desses programas enganam? Aí é que é a gente começa a perceber que o problema é maior que esses 20 centavos. E tudo isso é só uma parcela minima dos nossos reais problemas. Esses protestos estão funcionando como verdadeiros estopins positivos, pois a nova cultura de se manifestar ainda está nascendo. E já era hora.
Texto de Lucas Sendacz Acher (via vuduehprajacu) —